sexta-feira, 3 de junho de 2011

Estudo mostra importância do ácido fólico na prevenção da Síndrome de Down



  
O meu desejo sempre foi o de planejar a gravidez.  Não queria ser pega de surpresa.  Assim que comunicamos à minha ginecologista que estávamos pensando em termos um bebê, ela prescreveu o ácido fólico e pediu todos os exames necessários. Então, quando realmente decidimos já estava tomava a vitamina há uns quatro meses. É claro que tem situações inesperadas, por isso mencionei: planejar. Ela mesma disse que tomou o ácido fólico por quase um ano e não engravidava, então, ela e o marido decidiram fazer uma viagem para o Chile. Sem as preocupações do cotidiano e com a liberdade de desfrutar do melhor vinho chileno, engravidou. Assim que voltou e pegou o resultado ficou meio preocupada tanto por não estar tomando o complemento e tanto por ter provado todos os vinhos possíveis. Hoje a filha dela está com seis anos e nasceu perfeita! Ela me disse que não é preciso ficar encanada, porque muitos alimentos são ricos em ácido fólico. No entanto, se for possível planejar e proteger ainda mais o nenê é muito vantajoso. Eu pensava que ele era indicado para prevenir a má formação do tubo neural, mas após ler a matéria da UNICAMP fiquei ainda mais convicta da importância desta vitamina.
Veja a matéria:
Tomar ácido fólico durante pelo menos três meses ininterruptos, antes e depois de engravidar, é o que aconselha o ginecologista e obstetra do Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (Caism) da Unicamp Ricardo Barini às mulheres que desejam ter filhos. O médico garante que a precaução pode reduzir o risco de gerar bebês com Síndrome de Down (SD). Dados de pesquisa recente sobre o comportamento da enzima Metilenotetrahidrofolato redutase (MTHFR), responsável pela metabolização do ácido fólico no organismo humano, atestam este fator. A pesquisa foi idealizada pela médica do Departamento de Genética Médica da Faculdade de Ciências Médicas Carmem Bertuzzo e realizada em conjunto com o Caism.
Segundo o estudo, as mutações no gene da enzima resultam em menor atividade funcional e reduzem a quantidade de ácido fólico disponível para a duplicação celular. “Não há dúvidas de que a prevenção é necessária e, neste caso, a ingestão da vitamina é fundamental”, alerta Barini. Muitas vezes, explica, as mulheres iniciam a suplementação vitamínica após as primeiras semanas de gestação, o que não seria o adequado, pois as alterações no feto ocorrem no início da gravidez.
A pesquisa “Mutações do gene codificador da enzima Metilenotetrahidrofolato redutase e sua associação com a trissomia do cromossomo 21”, conduzida pelos médicos Gregório Lourenço Acácio, Ricardo Barini, Carmen Sílvia Bertuzzo, Egle Couto de Carvalho, Walter Pinto Junior e Joyce Maria Annichino-Bizzacchi recebeu, recentemente, o Prêmio Campos da Paz, conferido anualmente pela Sociedade Brasileira de Reprodução Humana. O trabalho será publicado na revista Climatério e Reprodução, a mais importante da especialidade em língua portuguesa.
Probabilidades – O estudo contemplou um grupo de 88 mães que tiveram seus filhos normais e sem histórico de abortos e outro composto de 70 mulheres em que os bebês nasceram com a Síndrome. Segundo o estudo, o grupo das mães de portadores da anomalia possui proporção maior de mulheres com mutações enzimáticas, se comparado às mulheres com filhos normais. Por isso, os resultados levaram a constatar que as portadoras das mutações têm nove vezes mais probabilidade de ter filhos com SD por produzirem menor quantidade de ácido fólico. Nas mulheres com idade superior a 35 anos, o risco fica em torno de cinco ou seis vezes maior que a população em geral.
O déficit da vitamina interfere na produção do DNA que, ao ser duplicado no processo de divisão celular, não é distribuído de modo igualitário entre as diversas células filhas. Desta forma, a separação dos cromossomos nas primeiras divisões celulares do embrião ocorre de forma inadequada, levando uma célula a permanecer com um cromossomo 21 extra e outra célula com menos um deste par cromossômico. O embrião que fica com o cromossomo excedente resultará numa criança com Síndrome de Down.
Ácido fólico – Barini explica que o ácido fólico não tem contra-indicação, não causa efeitos colaterais e não estimula o aumento de peso. A sua ingestão, tradicionalmente, é recomendada pela medicina para prevenir defeitos de fechamento do tubo neural dos bebês durante a gestação, que pode provocar, entre outros problemas, a abertura dos pontos da coluna vertebral. Também nestes casos, para se fazer uma prevenção adequada, ingestão da vitamina deve ocorrer antes de engravidar. “As divisões celulares ocorre nas primeiras semanas de gravidez. As mulheres que tomam o ácido fólico depois do resultado do teste de gravidez correm o risco da anomalia já estar em processo”, esclarece Barini. Diversos estudos apontam ainda a relação entre a deficiência do ácido fólico com câncer do cólon, leucemia, doenças mieloproliferativas e certas enfermidades crônicas da pele.
A trissomia do cromossomo 21, um distúrbio que ocorre em um a cada 800 nascimentos, é provocado por um cromossomo extra no par número 21. A incidência da Síndrome de Down em mulheres aumenta com a idade. “Aos 35 anos uma em cada 250 mulheres uma tem chance de gerar bebês com a trissomia do cromossomo 21”, diz Barini. Acima dos 40 anos a proporção aumenta para uma entre 50 mulheres. Aos 45, uma em cada 25 mulheres tem chances de terem filhos com SD.